"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Queda de Wilhelm Reich e ascensão de Salvador Dali

Você que está preocupado (a) com seu desempenho genital, você que tem dado apenas uma e com muito esforço a cada fim de mês, ou apenas uma a cada início de primavera, relaxe. Não é tão grave. Duas notícias recentes podem amenizar teu sentimento de ser o único sujeito do planeta que caminha a passos rápidos para a morte do desejo ou para a indiferença (leia-se impotência ou frigidez). Primeira: Vera Fischer (que continua sendo símbolo sexual e inspiradora do onanismo de muita gente) acaba de declarar em entrevista pública que está há dois anos sem entregar-se aos desvarios da luxúria. Segunda: Uma pesquisa feita na Grã Bretanha aponta que 73% de dois mil entrevistados confessam não terem energia para o sexo, e que isto se deve, segundo os próprios, à falta de condicionamento físico. Curiosamente, desses mesmos entrevistados, 36% afirmam que não correriam para pegar um ônibus e 59% que se o controle remoto da TV estivesse quebrado, prefeririam assistir um programa que não gostam para não terem que tirar o rabo do sofá e irem trocar de canal. Que tal? Mas não foram eles que piratearam soberbamente os mares durante décadas? Que pisotearam a Índia durante séculos? Que colocaram bravamente os argentinos de joelhos ali nas Malvinas? De onde teria surgido toda essa preguiça? Quanto ao sexo, talvez, Wilhelm Reich e sua Função do Orgasmo estejam definitivamente superados e o rabugento Salvador Dali estivesse certo quando insistia que o orgasmo é só um pretexto, que o que importa mesmo é o gozo das imagens.

Ezio Flavio Bazzo

Um comentário:

  1. engraçado, sinto que essa pesquisa revela algo da condição humana desse período histórico ocidental: a grande ressaca! depois das retumbantes orgias, dos oceanos do amor livre, da abundância das drogas free, da exuberância das guerrilhas e dos movimentos revolucionário, agora a grande ressaca. o momento de ficar quietinho com dor cabeça e o horrível gosto de bilis na boca. da embriaguês política, abandona-se a militância. claro, chatíssima cegueira. porém, de ressaca, abraça-se incondicionalmente o niilismo de estado e do consumo. da embriaguês da existência, abandona-se o risco de uma vida autorealizadora. de ressaca, abraça-se sem titubear o roteiro business e do funcionarismo público da estabilidade financeira e familiar. da embriaguês da sexualidade, abandona-se o sexo e os prazeres de qualquer que seja a forma do corpo. na ressaca abraça-se a paranóia por um específico tipo de corpo puro, cristalino, intocável. será que esses ressacados e ressacadas existenciais não sabem que uma ressaca só pode ser curada com outro porre?

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