"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Livres de Paulo Coelho e de Machado de Assis, viva LES CHANTS DE MALDOROR


Se você já está cansado de ler Paulo Coelho e Machado de Assis, vá à biblioteca da esquina consultar o livro de Isidore Ducasse: LES CHANTS DE MALDOROR. Enquanto isso, contente-se com esses fragmentos de sua obra, escrita ainda antes dos vinte a quatro anos:

Oh piolho de pupila contraída! Enquanto os rios derramem o declive de suas águas nos abismos do mar, enquanto os astros persistam na trajetória de suas órbitas, enquanto o mundo vazio não tenha limites, enquanto a humanidade desgarre seus próprios membros em guerras funestas, enquanto a justiça divina envie seus raios vingadores sobre este globo egoísta, enquanto o homem desconheça seu criador e se burle dele — e com razão — incluindo na burla uma pitada de desprezo, teu reino estará garantido sobre este universo e tua dinastia mostrará suas garras de século em século.

Se a terra estivesse coberta de piolhos como de grãos de areia a beira do mar, a raça humana seria aniquilada, tomada de terríveis dores! Que espetáculo! E eu, com asas de anjo, planando nos ares para presenciá-lo!

Pirâmides do Egito: formigueiros levantados pela estupidez e pela escravidão!

Aquele que não viu um barco despedaçar-se no meio de um furacão, na alternância dos relâmpagos e na mais profunda escuridão, enquanto os que viajam nele estão tomados pelo desespero que já conheceis, aquele, digo, não sabe o que são desgraças na vida.

A consciência julga severamente nossos pensamentos e nossos atos mais secretos e não se equivoca. Como ela é freqüentemente impotente para previnir o mal não se cansa de acossar o homem, como se fosse uma raposa, sobretudo na escuridão.

O crocodilo não mudará uma só palavra do vomito saído do interior de seu crânio.

Recebi a vida como uma ferida, e proibi o suicídio que faria desaparecer essa cicatriz. Quero que o criador contemple hora após hora, durante toda eternidade, esse tacho aberto. É o castigo que lhe inflijo.

Deste modo, vossos filhos se criarão lindos e reverenciarão a seus pais com agradecimento. De outro modo, doentes e encolhidos como o pergaminho das bibliotecas, avançarão a grandes passos, encabeçados pela rebeldia, contra o dia de seu nascimento e o clitóris de sua mãe impura.

Oh, execrável envilecimento! Como nos assemelhamos às cabras quando rimos!

Quem não sabe que quando se prolonga a luta entre o Ego, pleno de altivez e a magnitude terrivelmente crescente da Catalepsia, o espírito alucinado perde o juízo?

Ezio Flavi Bazzo

4 comentários:

  1. Que belo texto! Certamente será difícil encontrar este livro e estes fragmentos me fizeram lembrar alguns trechos que li recentemente de Hilda Hilst e Carolina Maria de Jesus. Além disso, a foto é espetacular!! Parabéns, caro escritor!

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    1. download Los Cantos de Maldoror
      http://inabima.gob.do/descargas/bibliotecaFAIL/Autores%20Extranjeros/L/Lautremont,%20Conde%20De/Lautremont,%20Conde%20de%20-%20Los%20cantos%20de%20maldoror.pdf

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  2. pois sim, qual é o maior crime da humanidade, senão perpetuar-se?

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  3. download Los Cantos de Maldoror
    http://inabima.gob.do/descargas/bibliotecaFAIL/Autores%20Extranjeros/L/Lautremont,%20Conde%20De/Lautremont,%20Conde%20de%20-%20Los%20cantos%20de%20maldoror.pdf

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