"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Um simples virus como incentivador de leitura


Na fila imensa que todas as manhãs se forma ao longo dos muros do ambulatório uma menina graciosa lia A CABEÇA DE HIDRA, do escritor mexicano Carlos Fuentes. Não resisti a pulsão de indiscrição e lhe fiz uma pergunta qualquer sobre o que estava lendo. Confessou-me que havia sido incentivada pelo virus da gripe no México, por aqueles seres desesperados e impotentes atrás de suas máscaras e por aquela solidão terceiro mundista. Que havia sido aquela desordem geneticamente latina que a conduzira para a literatura mexicana.

Que surpreendente! Pensei. Enquanto os governos com seus intragáveis livros didáticos e os professores com seu mau humor continuam fazendo as crianças odiarem a leitura, um simples virus suíno tem o poder de incentivá-la!

A menina estava tão radiante com a leitura que me pediu para fazer-lhe o favor de ouvir um pequeno trecho. Sentei-me a seu lado e ela leu calmamente e com uma dicção perfeita: “ Cortés converteu Malintzin duas vezes: primeiro ao amor; em seguida ao cristianismo. Foi batizada de Marina. O povo chama-a Malinche, nome da traição, voz que revelou aos espanhóis as ocultas fraquezas do império asteca e permitiu a quinhentos aventureiros ávidos de ouro conquistar uma nação cinco vezes maior que a Espanha. A pequena voz da mulher derrotou a grande voz do imperador”.

Ezio Flavio Bazzo

2 comentários:

  1. ah... se houvesse esse tipo de causa e efeito... ou! ah... se houvesse alguma causa e efeito! quanta luta, jogo e aposta deixada de lado... tudo em nome da segurança, do fast entendimento e do reducionismo... pois bem, que os vírus e suas fantásticas mutações traga aos hospedeiro e aos infectados a boa saúde de serem suporte de tudo o que é lido!

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  2. Yeah!!!

    otimo

    Mexico-Brasil =)

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