"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Os porcos com seus vírus e as Multinacionais com seu Tamiflu


Ao longo de nossa tumultuada história já tivemos que haver-nos com os ratos, as pulgas e a peste bubônica; com as vacas loucas; com os mosquitos da dengue, da malária e da elefantíase; com os caramujos e a esquistossomose; com os carrapatos e a febre maculosa; com o Sarcoptes Scabiei e a sarna nos pentelhos das madames; com os morcegos da raiva etc. Agora entram em cena novamente os porcos e a gripe suína. É oportuno lembrar que os porcos já atormentaram a civilização com a Taenia Solium e com a Saginata.


Depois de uns bons tragos, tanto o espírita residente na mesma quadra que eu como seus obsessores parecem não terem dúvidas de que essa possível pandemia é apenas a vingança dos porcos. Um acerto de contas dos suínos com a humanidade pela matança que estes vêm sofrendo pelos séculos a fora, uma espécie de taxa extra sobre as feijoadas, o bacon, as costeletas e os pernis.


Que esteja surgindo exatamente lá na Cidade do México, - enfatiza - não é de se estranhar, pois foram os astecas os primeiros pré-colombianos a sacrificarem o javali (o porco selvagem). Apesar do animal mais sacrificado e mais disponível naquela época ter sido o cachorro, (um animal de pequeno porte que era criado em rebanhos e comido ainda filhote), o grande luxo para a voracidade aristocracia daquela gente e especialmente para dias de festa, era o porco. E a matança era imensa e não parou mais. Claro que comiam também sapos, moscas, mosquitos, perus, tartarugas etc.


Deixei-o falar durante mais de cinqüenta minutos e voltei para casa convicto de que se o papo daquele pobre lunático tiver algum fundamento, a OMS e os coveiros que se prepararem, e muito bem, para quando cada uma das espécies (que foram e que continuam sendo devastadas por esta humanidade faminta) resolverem enviar-nos a conta. Se for o caso, - consolei-me - uma boa maneira de resistência pode ser aquela empregada pelas sete moças e os três rapazes florentinos (relatada por Bocaccio em seu Decamerão) que para fugirem da Peste Negra se refugiaram em uma casa de campo e lá ficaram, durante mais de mil e uma noites, parlando, parlando, parlando...


Ezio Flavio Bazzo

2 comentários:

  1. bioarma de porcos terroristas, suínos gripados pelas bruscas mudanças climáticas ou a impressionante astúcia dos jalecos brancos? ironias: 1. até mesmo os mais radical vegan não está a salvo; 2. num exato momento chegam ao mundo, vírus e vacina; 3. o único país do oriente médio a ter foco da gripe suína é israel; talvez tenha mesmo acabado a paciência das outras espécies do planeta, que esperavam ansiosamente à autoextinção voluntária da humanidade, e resolveram agir convocando a forma de vida mais evoluída daqui para dar um empurrãozinho.

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  2. Os vegans talvez não estejam lá tão tristes com essa constatação. Os vírus sempre foram vistos como as formas de vida que realmente vão acabar com a humanidade. E, bem melhor morrer assim - já que de qualquer forma um dia nosso tempo acaba aqui - do que viver o inferno do consumidor padrão, que mete toda e qualquer coisa podre na boca e vai se acabando por dentro.

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