"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 29 de março de 2009

LULA y sus ojos negros


Apesar dos sensacionalistas quererem alongar e turbinar a repercussão sobre a frase do Lula culpabilizando os homens brancos e de olhos azuis pela crise financeira internacional, ela vem sendo vista mundo-a-fora mais como um folclore sul americano do que como qualquer tipo de neoracismo ou de alguma outra teoria inédita e transcendente de nosso Presidente. Em último caso, - admitindo que a frase em questão tivesse alguma substância - estaria mais para a superstição e para feitiçaria de que para ideologia, pois não podemos nos esquecer que no Burundi, na Ruanda, Tanzânia etc., até hoje sacrificam albinos – por exemplo. A ausência do pigmento na pele, nos cabelos e nos olhos os torna suspeitos a priori, da mesma maneira que os ruivos foram durante muito tempo, considerados filhos de Caim etc. Enfim, a tal frase foi apenas uma bobagem como tantas das que quando se solta lá no boteco ou lá no sindicato, no meio daquela peãozada iletrada, causa gritos de frenesi e de admiração. Só voltei a pensar nisto hoje, quando me deparei com a estampa de um Cristo na parede da padaria da esquina e logo depois com um pittbul na rua, ambos de olhos azuis. Bobagens! A pulsão para a rapina é geral. Há gatunos por todos os lados com olhos de todas as pigmentações e com a pele de todos os matizes: brancos negros, amarelos, albinos, vermelhos, cor de rosa, lilás... O presidente (con sus ojos negros) sabe que os olhos são apenas os faróis da pele e que a pele é só um invólucro dentro do qual ocultamos todas as nossas infâmias, traições e misérias. E depois, não há quem não se lembre do texto que está lá na A Gaia Ciência: “Se o laço dos instintos, este laço conservador, não fosse tão mais poderoso do que a consciência, se não desempenhasse, no conjunto, um papel de regulador, a humanidade sucumbiria fatalmente sob o peso de seus juízos absurdos, de suas divagações, de suas frivolidades, sua credulidade, isto é, do seu consciente; ou melhor, há muito tempo teria deixado de existir sem ele”.

Ezio Flavio Bazzo

2 comentários:

  1. mesmo sendo a gatunagem imperiosa e sem atributos físicos, étnicos, classistas, religiosos, de gênero, idade e orientação sexual... jamais percamos nossos inimigos de vista...

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  2. É realmente uma frase folclórica e muito fora de época, uma frase que funcionou como uma seta sem direção certa, uma frase meio marota de alguém que premeditou uma pequena traquinagem, sem a devida condição para causar impacto e sensação. Lula y sus ojos negros só convence o pessoal do bolsa-família.

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