"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O corregedor e os irmãos Grimm


O caso do deputado e corregedor que construiu um castelo nas montanhas temperadas de Minas, as movimentações teatrais e corporativas, a mídia e o clima geral ao redor desse assunto têm turbinado o humor e a euforia de muita gente neste final de semana. Pelo exagero do escândalo dá até a impressão de se tratar realmente de uma perseguição contra o nobre político, uma vez que, por um lado, existem dezenas de mansões na cidade que valem bem mais que um simples castelo, e por outro, que muitos de seus colegas de Congresso são donos de Estados, de Bancos, de latifúndios imensos e sem grandes problemas... Mas voltando à euforia, o auge do gozo popular aconteceu quando aquele homem simplório, com a estatura de Toulouse-Lautrec perguntou indignado aos seus detratores: “Eu estou sendo julgado por qual tribunal?” Pelo tribunal da impotência – muitos gostariam de ter respondido. Independente dos vinte e cinco milhões, o que mais importa nessa história é a hipótese de que a literatura infantil pode estar fazendo muito mal ao imaginário de nossa gente e que as marcas dos irmãos Grimm tendem a ficar bem mais profundas na personalidade de nossas crianças de que as de Kant e as de Marx – por exemplo. Além disso, é bom lembrar que o nobre corregedor não é o único brasileiro que ao sobrar alguns centavos corre construir ou comprar um castelo. Até o intelectual e escritor "mais importante" do país tem o seu lá no interior da França. Enfim, nós que tememos o tédio como os religiosos temem o demônio devemos admitir - como diria Diderot – que esse eterno espetáculo do ataque polido e da graciosa repulsa é um dos mais divertidos da terra.

Ezio Flavio Bazzo

2 comentários:

  1. sim, o rei está nu... e é um exibicionista; a plebe sonha em ser realeza; o proleta sonha em fazer parte da aristocracia do funcionalismo público; a classe média sem sal sonha em ser senhor feudal em algum condomínio irregular;
    como dizia um velho amigo padeiro: "o sonho acabou".

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