"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Somos todos ciganos do Alentejo


Não apenas as Ciências Humanas, mas os astrólogos e até os curandeiros de araque têm insinuado que por debaixo da maior parte de nossos transtornos está a falta, a ausência e a carência de identidade. Começo a admitir essa idéia. Nos anos fascinantes de 68 – por exemplo - uma frase nos muros de Paris alertava: “somos todos judeus alemães”. Na cidade de Taxco - lá pela década de 70 - um ourives jurava que “éramos todos descendentes de vietnamitas”. Em Budapeste ouvi um russo afirmando aos gritos que “todos tínhamos os genes do Cáucaso”. Já, segundo as recentes Teorias da Evolução “somos todos africanos” e agora, com os israelenses imitando os nazis recebo dezenas de e-mails dizendo que “somos todos palestinos”. De minha parte, quando de manhã levo meu cão para mijar sobre a terra e vou observando os trejeitos e os contorcionismos da turba seria capaz de apostar com serenidade que “somos todos ciganos do Alentejo”.

Ezio Flavio Bazzo

Um comentário:

  1. muito bem lembrado, caro e lúcido, porém sem perder a embriaguêz, ezio. alentejo... mais uma incursão violenta dos ministros da noite - como diria ana barradas em seu livro negro da expansão portuguesa. já eu, prefiro ser o desgarrado stirnerianio de uma tribo pré-islâmica em um deserto nietzschiano qualquer, do que ser um sujeito universal sob o horizonte laico do ser englobante!

    ResponderExcluir