"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Loft! Loft! Loft!


A mais nova canalhice do mercado imobiliário brasiliense se chama loft. Você já deve ter ouvido por aí, na boca de meio mundo, essa palavra forasteira e, inclusive, saber que seu significado de origem é sótão, armazém, depósito etc. Pois bem. Visite as que o tal mercado imobiliário está colocando a venda e ficarás enfurecido. Se continuarem predominando o silêncio e a indiferença das massas perante os abusos criminosos da arquitetura e da construção civil não precisaremos esperar muito para ver a cidade, com seus "lofts" e com suas "suítes", transformada numa imensa penitenciária de Terceiro Mundo. E digo de Terceiro Mundo pensando naquele jovem paulistano que preso na Suíça durante 30 meses por tráfico de cocaína, quando prestes a ser repatriado para o Brasil concedeu esta entrevista a Swissinfo.ch: “As prisões daqui são hotéis cinco estrelas. Vou continuar a trabalhar e rezar para o tempo passar devagar. A verdade é que eu gostaria muito de ficar mais um tempo na prisão e não voltar agora para o Brasil. Se eu ficasse preso aqui mais um ou dois anos poderia juntar um dinheiro para poder ter uma vida melhor no Brasil. Cheguei até mesmo pedir ao juiz para ficar, porém ele não autorizou. Para que eu vou voltar ao Brasil? Você sabe como é a vida por lá, como é complicado encontrar um emprego de uma hora para outra. Mesmo fechado na prisão, aqui você não arruma problema, ninguém te mata. No Brasil a história é diferente. Eu gostaria de trabalhar num serviço honesto aqui na Suíça, mas se não for possível, ficaria até mesmo na prisão. Em Ringwil posso tirar mil francos por mês. No Brasil esse é o salário de um engenheiro. Minha mãe trabalha a dez anos na prefeitura e ganha apenas 600 por mês”.

Ezio Flavio Bazzo

Um comentário:

  1. é incrível, quanto mais se caminha pelos becos e vias desse mundão, a inspiração humana é sempre a mesma: desejar o vazio das coisas. a eterna perpetuação do vínculo de um sujeito incerto a um objeto indeterminado. somente o excesso paranóico da racionalidade para gerar a magia de tudo o que é moribundo.

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